Fernando Pessoa - poemas
www.mDaedalus.com
poemas
de
Pessoa
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
M
N
O
P
Q
R
S
T
U
V
 
Fernando Pessoa

  Às vezes entre a tormenta


 
Às vezes entre a tormenta,
quando já umedeceu,
raia uma nesga no céu,
com que a alma se alimenta.

E às vezes entre o torpor
que não é tormenta da alma,
raia uma espécie de calma
que não conhece o langor.

E, quer num quer noutro caso,
como o mal feito está feito,
restam os versos que deito,
vinho no copo do acaso.

Porque verdadeiramente
sentir é tão complicado 
que só andando enganado
é que se crê que se sente.

Sofremos? Os versos pecam.
Mentimos? Os versos falham.
E tudo é chuvas que orvalham 
folhas caídas que secam.


  • As rosas amo dos jardins de Adônis, Ricardo Reis
  • A 'sperança como um fósforo inda aceso, Poesias Inéditas
  • Assim como falham as palavras quando querem, Alberto Caeiro 
  • Assim, sem nada feito e o por fazer, Cancioneiro 
  • As tuas mãos terminam em segredo, Cancioneiro 
  • Às vezes, em dias de luz perfeita e exata, Alberto Caeiro  
  •  

    Google
     
    Web mdaedalus.com
    página de Pessoa
    página principal
    com o apoio de:
    www.travel-images.com
    Fernando Pessoa - poemas
    www.mDaedalus.com