Fernando Pessoa - poemas
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Poemas dos Dois Exílios
 
Dói viver, nada sou que valha ser.
 
 
Dói viver, nada sou que valha ser. 
Tardo-me porque penso e tudo rui. 
Tento saber, porque tentar é ser. 
Longe de isto ser tudo, tudo flui. 

Mágoa que, indiferente, faz viver. 
Névoa que, diferente, em tudo influi. 
O exílio nado do que fui sequer 
Ilude, fixa, dá, faz ou possui. 

Assim, noturno, a árias indecisas, 
O prelúdio perdido traz à mente 
O que das ilhas mortas foi só brisas,

E o que a memória análoga dedica 
Ao sonho, e onde, lua na corrente, 
Não passa o sonho e a água inútil fica
 

 
 


 
 


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