Fernando Pessoa - poemas
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Alberto Caeiro

XXV - As Bolas de Sabão


 
     As bolas de sabão que esta criança
     Se entretém a largar de uma palhinha
     São translucidamente uma filosofia toda.
     Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
     Amigas dos olhos como as cousas,
     São aquilo que são
     Com uma precisão redondinha e aérea,
     E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
     Pretende que elas são mais do que parecem ser.

     Algumas mal se vêem no ar lúcido.
     São como a brisa que passa e mal toca nas flores
     E que só sabemos que passa
     Porque qualquer cousa se aligeira em nós
     E aceita tudo mais nitidamente.



 
  • Aqui, neste misérrimo desterro, Ricardo Reis
  • Aqui neste profundo apartamento, Poesias Inéditas 
  • Aqui onde se espera, Cancioneiro 
  • Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação, Álvaro de Campos
  • Árvore verde, Poesias Inéditas 

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