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Alberto Caeiro
XXV - As Bolas de Sabão
As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia
toda.
Claras, inúteis e passageiras como
a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança
que as deixa,
Pretende que elas são mais do que
parecem ser.
Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal
toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente. |
Aqui,
neste misérrimo desterro,
Ricardo Reis
Aqui
neste profundo apartamento,
Poesias Inéditas
Aqui
onde se espera,
Cancioneiro
Arrumar
a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação, Álvaro
de Campos
Árvore
verde,
Poesias Inéditas
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