Fernando Pessoa - poemas
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Álvaro de Campos
 
O Tumulto
 
O tumulto concentrado da minha imaginação intelectual ... 
Fazer filhos à razão prática, como os crentes enérgicos... 
Minha juventude perpétua 
De viver as coisas pelo lado das sensações e não das responsabilidades. 
(Álvaro de Campos, nascido no Algarve, educado por um tio-avô, padre, 
que lhe instilou um certo amor às coisas clássicas.) (Veio para Lisboa muito novo ...) 
A capacidade de pensar o que sinto, que me distingue do homem vulgar  
Mais do que ele se distingue do macaco.  
(Sim, amanhã o homem vulgar talvez me leia e compreenda a substância do meu ser, 
Sim, admito-o, 
Mas o macaco já hoje sabe ler o homem vulgar e lhe compreende a substância do ser.) 

Se alguma coisa foi por que é que não é 
Ser nao é ser? 

As flores do campo da minha infância, não as terei eternamente, 
Em outra maneira de ser? 
Perderei para sempre os afetos que tive, e até os afetos que pensei ter? 
Há algum que tenha a chave da porta do ser, que não tem porta, 
E me possa abrir com razões a inteligência do mundo?

 
 
 


 
 


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