Fernando Pessoa - poemas
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Álvaro de Campos
Não sei. Falta-me um sentido, um tacto


Não sei. Falta-me um sentido, um tacto 
Para a vida, para o amor, para a glória... 
Para que serve qualquer história, 
Ou qualquer facto ? 
Estou só, só como ninguém ainda esteve, 
Oco dentro de mim, sem depois nem antes. 
Parece que passam sem ver-me os instantes, 
Mas passam sem que o seu passo seja leve. 
Começo a ler, mas cansa-me o que ainda não li. 
Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir. 
O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir 
É tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi.



 
  • Na casa defronte de mim e dos meus sonhos, Álvaro de Campos
  • Nada fica de nada. Nada somos, Ricardo Reis
  • Nada me prende a nada, Álvaro de Campos
  • Nada. Passaram nuvens e eu fiquei, Poesias Inéditas 
  • Nada que sou me interessa, Poesias Inéditas 
  • Nada sou, nada posso, nada sigo., Cancioneiro
  • Na floresta do Alheamento, Na Floresta do Alheamento

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